Tuesday, September 05, 2006

So falta o Diogo Mainardi votar no Lula

O Brasil não é o país do futebol, é o país do surf. Todo mundo vai na onda. O Alckmin continua estacionado, mas o estacionamento esvaziou. Nesta semana, o Lula sorridente foi capa da Isto é, capa da Época e até a Veja mudou de tom. Veja você. Para começar, quanto mais perto fica a eleição, mais distante da política ficam as capas da revista. Nessa semana, a Veja ainda fez matéria e editorial falando sobre como o Lula é melhor do que o PT. Ou seja, deu abrigo à estratégia pela qual Lula optou - ops - o descolamento do partido. Só se for descolamento de retina pra não ver que Lula continua PTzaço, dos pés à raiz da barba. Nessa mesma Veja tive outra bela de uma surpresa ao ler a entrevista do Jabor. Adoro o Jabor, não só pelo estilo quanto também pela coerência dos argumentos. Coerência? Pois não é que ele agora diz que ainda não sabe em quem vai votar? Isso mesmo: o Jabor é um dos indecisos das pesquisas. Bem, na Heloísa Helena é que ele não vai votar. Portanto, quando ele diz que ainda não decidiu, só pode querer dizer que considera votar no Lula. Minha cabeça não agüenta. E minha cabeceira não vai mais agüentar mais o livro dele, que eu estava gostando tanto. Há limites. Aqui no Brasil não é só a Maria que vai com as outras, não. O João, o José, o Arnaldo, todo mundo vai. Já tinha ficado besta quando vi que outros candidatos do PSDB pularam fora e se aproximaram do Lula. Isso o PT nunca fez, nem quando o Lula tomou sua lavada do FH. Se é verdade tudo o que leio, o PSDB está dando outro exemplo memorável de como não fazer oposição. É um tal de Aécio não se empenha, de fulano só elogia Serra (agora é fácil, porque Serra está na frente, mas lembram da eleição passada?). Mas o máximo é saber que o próprio Presidente do partido, Tasso Jereissati, lá no seu Estado ajuda o irmão do Ciro Gomes, ministro do Lula e inimigo nº 1 do PSDB, enquanto o candidato oficial do seu PSDB dá sinais claros de apoio ao Lula. Que beleza de Presidente de partido é o Tasso, não? Só está faltando mesmo o Diogo Mainardi resolver votar no Lula. E durma-se com um barulho desses. Aliás, como meu candidato ainda é o Alckmin, durma-se com um silêncio desses.

Os principios no fim

Acabo de ver o Lula na TV dizendo que nunca traiu seus princípios.
Em compensação traiu todos os meus.
Os princípios, os meios, os fins, tudo. Mas Lula vai de vento em popa, capa sorridente de quase todas as revistas semanais, disparado nas pesquisas.
Não sou entendido em política, não sou especialista em pesquisas, nada disso.
De modo que vou deixar de lado Ibope e Data Folha e falar, como diria meu ex-chefe Percival, sobre os dados do Instituto "Feeling" de Pesquisa. Até porque no feeling mando eu. Pior do que os 50% do Lula é essa distância cada vez maior
entre os votos da classe média e dos mais pobres, que a Veja desta semana quantifica. O Brasil sempre teve essa absurda desigualdade social, mas pelo menos tinha alguma unidade de pensamento. Em vez de resolver a primeira parte, acho que estão estragando a segunda. Na hora em que o pensamento também for desigual, já era. Viram dois brasis. Ou mais.
E aí viro estrangeiro de vez aqui dentro. Resta saber se consigo visto, pelo menos. Mudando de assunto e ficando no mesmo, dia desses recebi pela internet um artigo do Mario Vargas Llosa sobre a doença de Fidel Castro. Artigo imenso, caudaloso, mas também cheio de caldo e tutano. Por volta do vigésimo oitavo parágrafo Vargas Llosa comenta que o povo cubano, pobre, sofrido, com pouquíssimas oportunidades há gerações, agora reza sinceramente por Fidel. Para a maioria,
o melhor é que Fidel continue eternamente, apesar do muito pouco que recebem. Acreditam que dependem dele.
O pior paredão de Cuba é esse. Uma ilha que não enxerga o horizonte. Pensando um pouco mais sobre o artigo, sobre Cuba, mas também sobre as pesquisas por aqui, acabo concluindo: assistencialismo não elimina desigualdade social, mas vicia.
Os dois lados. Quem recebe, carente ao extremo, vicia na sensação de alívio mensal. Não desprezo absolutamente o valor
do alívio, porque já senti dor. Mas assistencialismo é analgésico, é anti-térmico, tem que vir junto com antibiótico.
Cadê o antibiótico ? Essa receita o Governo não passou. No caso de Lula, o alívio do remédio ainda vem com sopro, que
é o jeitão com que Lula fala, parecendo mesmo alguém do povo. Faz tempo que Lula não é povo, mas aí entra o talento de parecer. Essa conversa próxima é um carinho, que Fidel também faz muito bem. Quem não tem condições de compreender o conteúdo, se apega na forma. Quem não tem nada, se apega a qualquer coisa. E é por isso mesmo que o assistencialismo não vicia só quem recebe a assistência, mas também quem oferece. Primeiro, porque é bom se sentir "provedor". O ideal é que cada um se vire, mas, poxa, como é bom ter quem dependa de nós. Quem nos agradeça diariamente. Isso nos dá uma importância danada. Segundo - e pior - porque sai barato. No caso do bolsa-família, preço de ocasião. Muito mais voto, por menos investimento. Além do mais, com resultado imediato, que esse papo de longo prazo é pra quem não tem que disputar eleição toda hora. Quanto mais educado, forte e autônomo for o povo, maior a chance dele resolver que é independente. Maior a chance de "ingratidão", na visão deles. Quanto mais dependente, melhor. Lula é como um pai egoísta. Sente que
o filho bem preparado pode questioná-lo, pode até resolver morar longe, onde já se viu. Já o filho fraco, que vive da mesada, provavelmente não sairá nunca de perto. Aí entra a questão ética, entram os valores, os tais princípios. Só que nesta eleição, ética não está mais em questão. Os valores já foram repassados na época do mensalão. E princípio, para Lula, deve significar só o começo, mesmo.

Monday, September 04, 2006

Dunga esta me ganhando

Blog é um problema. Os textos anteriores ficam registrados. É só voltar pra conferir e ver que eu duvidei do Dunga. Ta certo que também é cedo para dizer qualquer coisa, mas a verdade é que ganhar da Argentina de 3 a 0, seja em qualquer contexto, não é bolinha. É bolão, mesmo, como o que o Brasil jogou em alguns momentos, especialmente no primeiro tempo. Jogo corrido, disputado, bem jogado, o que desequilibrou foi a jogada do Robinho, no primeiro gol. Mas o time esteve bem, considerando que quase não treinou. Voltou meio apagado no segundo tempo, pressionado, como era de se esperar. Mas Dunga mexeu direitinho e deu tudo certo, com direito a Kaká jogando como devia ter jogado na Copa. Objetivo, produtivo, que golaço, não ? Tomara que continue assim. E logo teremos esquecido dos indolentes do Parreira e estaremos torcendo com vontade de novo. O que mais estou gostando no Dunga é que ele parece bem mais consciente das coisas do que esperava. Fala muito bem, interpreta bem o jogo, enfim, começou bem. Como é futebol, como é Brasil, não tem jeito. Bastou ganhar da Argentina que nos ganha também.

Saudades do tatu-bola.

Tanta gente protegendo os micos leões, as tartarugas e nenhuma ONG se lembrou dos tatus-bola. Imagino que eles estejam quase extintos. Pelo menos, "cadê?", como diria o Leo. Será por causa das dedetizações? Sei que na calçada da casa dos meus avós, em Jaú, havia muitos, sempre. Era um piso de cimento, meio arroxeado pela terra da região, com pequenos quadrados separados por sulcos, onde se alojavam. Como a rua era em descida, bastava dar um peteleco e lá iam eles, bem longe. Também na casa da vó Jurema, aqui em São Paulo, brincava com alguns. Especialmente no muro de pedra, na frente da casa. Se houvesse mesmo uma ONG para protegê-los, ficariam horrorizados em saber que eu joguei muita bola com os dito cujos. Chutava com a unha do indicador, contra o gol formado por dois dedos da outra mão. Cheguei também a experimentar
tatu-bola como bola de futebol de botão, até escrevi um roteiro de propaganda com essa idéia, mas nenhum cliente foi louco de aprovar. É a era do politicamente correto. Mas a verdade é que eu nunca quis o mal de nenhum deles. Aliás, todos saíam ilesos depois de rodar um pouco pra cá e pra lá. Possivelmente até se divertiam, afinal, eram tatus-bola. Ora bolas
(não resisti), sua natureza era rolar. Ou é , caso estejam escondidos por aí, tramando a sua volta triunfal. O politicamente correto também matou os circos. Pelo menos por aqui. Não podem mais ter animais se apresentando, porque muitos eram mal tratados. Não duvido. Mas para mim, a solução seria coibir os mal-tratos, multar, prender, mas não proibir todos.
Circo sem animal não é circo. É um círculo, vicioso. Sem animal, não tem público. Sem público, não tem circo. Uma noite dessas assisti ao velho e bom Sr. Orlando Orfei no programa do Jô. 80 e poucos anos, atacado por leões mais de uma vez, mas ainda vivíssimo. Na Itália, apresenta suas feras. Aqui, nem pensar. Mostrou fotos e mais fotos de leões amigos, lindos, aparentemente bem tratados. Jura que nunca tratou mal um animal. Não ponho a minha mão no fogo, ou trabalharia lá no circo dele, mas tendo a acreditar. Em São Paulo, ele ficou só uns dias e se foi. Fazer o que aqui, só com a fonte luminosa e alguns palhaços? As crianças de hoje não conhecem a emoção daquele momento em que as luzes apagavam, mas percebíamos a montagem das grades na penumbra. Dava um friozinho delicioso na barriga cheia de pipoca. Quando as luzes voltavam, os leões já estavam lá no meio, no caso do Orlando Orfei. Ou os tigres, no caso do Tihany. A Gabi ainda teve
a chance de curtir um dos últimos circos com animais que apareceram na cidade. Ela foi com meu pai e minha mãe várias vezes ao Stankovich (acho que é esse o nome), ali no Tatuapé. Um circo simples, sem a pompa desses outros. Mas ela se lembra até hoje. Acho que terá mais recordações do meu pai, com quem ela conviveu só quatro anos, por conta dessas idas ao Stankovich. Já o Leo, só se a lei mudar. Agora a Gabi está na espera para ir ao Cirque du Soleil, em Outubro. Enquantos
os circos tradicionais desaparecem, o Cirque du Soleil tira público da cartola (acho que nem coelho pode mais). Em maio passado venci uma longa fila e consegui dois ingressos para uma apresentação em outubro. Acho que nunca comprei nada com tanta antecedência. Pelo preço dos ingressos, devia sobrar lugar. Mas que nada. Imagino que seja lindo, só que desconfio qua a Gabi vai sentir falta dos bichos, como eu sinto dos tatus-bola. Enfim, tudo agora é politicamente correto. Menos os politicos, cada dia mais incorretos. Proíbem os animais nos circos, mas permitem palhaços no Congresso.
Eles, sim, deviam rolar calçada abaixo depois de um peteleco bem dado.

Thursday, August 31, 2006

Vox populi, nox fodi

A vantagem do Lula aumentou de novo, segundo o Vox Populi. Vox populi, Nox fodi. Lula é um míssil, mesmo. Na nossa direção. Melhor mesmo falar de futebol. Xi... o tricolor empatou com o Fortaleza, no Morumbi, e o destaque do jogo foi o famoso Albérico, goleiro do Fortaleza. Pegou pênalti do Rogério e tudo. A fase é ruim, mesmo. Eu estava no Morumbi. Mas não vendo o jogo. No Einstein, mesmo, fazendo inalação com Berotec no Leo. Bom esse Berotec, o Leo animou pra valer, falou com todos os médicos, com as enfermeiras, que ele não é bobo, saiu de lá a mil. Crianças têm essa característica em comum com TVs e carros. Em casa dão defeito, chegam perto do médico, funcionam perfeitamente, deixando os pais com cara de marinheiro de primeira viagem. Melhor assim, né, Leo? Mas me desculpem. Estou divagando e devagar. É o cansaço, é o Lula, é o Albérico. É tudo. Pra terminar, minha última sugestão para o Alckmin: parar com a acupuntura e experimentar inalação com umas gotinhas de Berotec. Além de animar, faz parar a chiadeira.

Encontro no Purgatório

31 de agosto

Foi Covas quem encontrou o Dr. Ulisses.

- Sumiu, hein?

- Pois é, colega, desapareci. Estava precisando. Mas aqui estamos nós, por eles esperando...rá...

- O senhor não mudou nada. Conserva a mesma aparência de antes.

- Você também não muda, Covas, sarcástico, como sempre. Não vou responder com piadinhas fáceis com o seu nome.

- Que é isso, Dr. Ulisses, o senhor está bem, mesmo.

- É que foi como eu queria. Não morri de raiva, nem de mágoa, nem de doença. Morri na luta.
E não me chame de senhor, que ele está logo ali em cima e pode ouvir.

- Tem razão. Pena que não deu pra terminar a luta. Tem visto as coisas lá embaixo?

- Tenho. Estamos apanhando, mesmo. Mas a luta nunca termina.
Assim como o inferno tem muitos andares, a luta tem muitos assaltos.

- Nem me fale em assaltos, Dr. Ulisses. Não sabe como isso tem atrapalhado o Geraldinho.

- Pois é, fiquei sabendo. Como anda ele?

- Geraldinho anda me decepcionando um pouco. Andou fazendo muita acupuntura, acho.
Com tantos furinhos, acabou murchando.

- Rá...você não perde o mau humor, né Covas?

- E dá pra perder?

- Não que eu queira ser cabotino. Mas de novo eu estava certo quando disse que política é como nuvem.
Você olha está de um jeito, olha de novo e já mudou. Eu entendia de política e agora entendo de nuvem.
É isso mesmo...

- Acha que o Geraldinho pode virar, então?

- Difícil, caro Mário. Desde que cheguei aqui ainda não vi o Homem fazer um milagre. Ninguém merece.
Eu quis falar é do Lula, do PT...imaginava que eles estariam como estão?

- Pois é, doutor, Política é como nuvem, mas quando vai formar tempestade, fica cada vez mais preta.

- E olha que eu gostava desse menino... o... Lula.

- Tiramos muita foto juntos. Eu, ele, FH...

- Ele devia ter vergonha. Devia saber que daqui dá pra ouvir tudo o que ele fala, mesmo a portas fechadas.

- Fico com ódio, Dr. Uisses. Se pudesse, descia, reencarnava num desses garotinhos mal educados de hoje,
que gritam e esperneiam. Quer dizer, Garotinho, não!

- Calma, Mario. “Política não se faz com ódio. Não é função hepática.”...ando me repetindo....

- Mas também não se faz com mentira e cinismo. Quem é que dizia que a política é filha da consciência, irmã do caráter?

- Eu, colega. Mas a família não se dá bem faz tempo... E lembre-se que eu também dizia para sermos fieis
ao evangelho de Santo Agostinho: ódio ao pecado. Amor ao pecador.

- Puxa-saco. Santo Agostinho tem voto ali no céu?

- Olha o respeito, Mário...senão por mim, por ele.

- Devíamos ter ficado no mesmo partido. Se um de nós tivesse sido eleito Presidente, talvez a realidade fosse outra.

- Acho que tivemos sorte de morrer. Mas de todo jeito foi idéia sua fundar o PSDB. Você teria vencido a eleição
com o MDB...

- PMDB, Dr. Ulisses.... faltou o P

- O Partido era MDB. P estou agora.

- Isso, doutor, desopila...”amor ao pecador”, mas há limites.

Lá embaixo, ouviram-se trovões. Proporcionais às duas vozes que ecoavam lá em cima. Depois, um pouco mais relaxados, terminavam a conversa. Covas lembrou de perguntar.

- E o Congresso, tem acompanhado ?

- Você sabe que sempre respeitei a separação entre os poderes, caro amigo. E o Congresso, agora,
é jurisdição do inferno. Não tenho visto nada, não.

- Mas será que não devíamos fazer nada? Tentar interferir, interceder? usar nosso prestígio?
“Quem não se interessa por política não se interessa pela vida”. Lembra?

- Claro que lembro. Mas agora me interesso pela morte... há muito o que fazer aqui em cima. Pelo jeito vai chegar
cada vez mais gente, precisamos ajudar a organizar tudo para não repetir aqui, as disputas lá debaixo.

- Está pensando em implantar a democracia aqui, Dr. Ulisses?

- Democracia começa com demo, Covas... aqui as coisas funcionam diferente, graças a Deus.
Mas podemos ajudar organizar um pouco o segundo e terceiro escalões. Senão fica tudo muito monótono.
Já não chega não ter poire...

- Verdade. Falando nisso, tem visto o Severo? E o Tancredo?

- O Severo às vezes. Tancredo, não. Será que não anda com Getúlio? Ou talvez esteja acompanhando de perto o neto,
que pelo jeito vai bem, mas farreia muito... precisa de guarda constante.

- Ou virou santo, mesmo, com toda aquela reza do povo...

- Rá...Mário, Mário, você é um homem inteligente. Ainda está pra morrer um político que vá para o céu...

- Está mesmo? Quem, hein Dr. Ulisses?

Onde está Covas?

30 de Agosto

"A ética na política exige exatamente um comportamento permanente a esse respeito. Exige uma crença nos valores que a ética cultiva, uma crença no povo, uma crença na democracia, uma crença na seriedade. E quando eu falo em seriedade não falo em honestidade. Vou mais longe do que isso. Falo em integridade, falo na capacidade que cada um tem de se conduzir de forma adequada em cada circunstância, em cada momento". Mário Covas, 24/10/2000, no Sindicato dos Jornalistas.

Pois é. Em 1998, Maluf liderava de longe as pesquisas. Venceu o primeiro turno com folga de mais de 10%. Covas até que era bem avaliado como Governador. Seu ponto fraco era a área de segurança. E com razão. Maluf era forte com o povão, tinha recuperado sua imagem de bom administrador, mas também tinha recuperado seu velho e bom ponto fraco: ética. No segundo turno, era tudo ou nada e Covas não quis nem saber. Bateu forte. Ele mesmo, pessoalmente, sem ajuda de terceiros. Nada de campanha propositiva, era destrutiva, mesmo. Você deve se lembrar da campanha de outdoor, com fotos de crianças e frases como "Pai, é certo mentir?". Aliás, layout de um amigo meu, o Romolo. Tiveram um efeito danado. Em todas as aparições, seja nos programas de TV, seja nas entrevistas ou nos debates, Covas não perdia a chance do de atacar.
Aliás, não era ataque, era legítima defesa. Do povo, do Estado. Covas nunca malhou a vida pessoal de Maluf, mas os fatos de Governo. Maluf, como sempre, fingia que não era com ele. Não sabia de nada. Não tinha nada a ver com nada. Nem reagia, era "paz e amor". Mas Covas foi em frente e usou com força o argumento da ética, amparado em seu passado, em sua voz tão grave quanto o conteúdo das palavras. Podia ser estratégia, mas parecia instinto. Princípio. O resultado? Covas virou, ué. Foi reeleito, trazendo consigo um bom vice, Geraldo Alckmin, que depois assumiu o Governo com a doença e finalmente a morte do Governador. Alckmin diz ter aprendido quase tudo com Mário Covas. O quase é que são elas. Pelo jeito, faltou aprender a usar a voz e os olhos para dizer o que precisa ser dito cara a cara com o eleitor. Faltou olhar para aquela campanha, tão recente, aliás. E repetí-la. Lula poderia até vencer, mais seria por pontos, não nocaute. Mais algumas frases de Covas, pouco antes daquela eleição:

"Este Governo faz questão de ser e ter em seus quadros pessoas absolutamente indiscutíveis do ponto de vista ético e moral. (...) O que me importa é poder chegar ao fim do Governo tendo feito o melhor possível e com a mesma cara limpa com que eu entrei.(...) Este Governo tem a obrigação de ser sério (...) e não tem do que se envergonhar. Tem sobretudo algo do que se orgulhar: ele vai terminar como começou, com a mesma dignidade, com a mesma compostura, com a mesma seriedade."

Covas não era o mais carismático dos oradores. Mas perdia a paciência, às vezes. Como eu, como você. Menos Alckmin. Ele não perde a paciência. Parece que prefere perder a eleição, mesmo.

Plutão de novo

30 de agosto

Recebi por email do amigo Giba uma dessas jóias do pensamento popular: "foi só um brasileiro ir para o espaço que já sumiu um planeta". Talvez a piada chegue um pouquinho atrasada, mas nós também não somos muito chegados a pontualidade, certo?

O batom na cueca

29 de agosto

Lula chegou bem mais tarde do que de costume ao Alvorada. Ou mais cedo, conforme o ponto de vista. Marisa estava deitada, como era de se esperar. Dormindo de barriga pra cima, para não deixar os cremes que passara no rosto saírem com a fricção no travesseiro. Ela raramente se preocupava com Lula, ainda mais agora, que ele tem seus passos acompanhados 24 horas por dia. Mas por algum motivo, nessa noite, sentia de novo um filhote de pulga se aninhando ali, bem atrás da sua orelha. Depois das primeiras aplicações de Botox, idéia dela mesmo, Lula começou a se olhar no espelho com mais frequência, e com um olhar, digamos, estranho. Mesmo quando passava em frente a espelhos de escadas rolantes, ou mesmo um vidro muito brilhante no Planalto, não deixava de dar uma olhadinha, uma passadinha de mão no cabelo, na barba e às vezes até mesmo abrir um sorrisinho, como quem diz "aí, hein, garoto...". Não, garoto, não. Lula sempre foi vaidoso, mas nunca nesse aspecto. Respirar fundo e encolher a barriga quando havia uma jornalista bonita por perto, por exemplo, é algo que Marisa só percebera recentemente, numa entrevista na inauguração pomposa de uma futura obra. Pensando bem, foi só depois do Botox que o Presidente começou - ele sim - a se preocupar com o cansaço da esposa. "Fique aí, Marisa...a viagem vai ser maçante.". "Você anda se desgastando muito, deixa que eu vou ao evento sozinho…quem mandou ser Presidente?" Os efeitos do Botox em mulheres são conhecidos e puramente estéticos. Mas em homens, bem, não há ainda muita literatura disponível. E mesmo se houvesse, Marisa não leria, claro. Mas será que podem haver alterações psicológicas? Humm, Marisa abriu um dos olhos quando ouviu Lula entrando no quarto. O outro estava grudado, excesso de creme em volta. Mas foi conveniente, porque assim Lula não percebeu. Ele tirou logo os sapatos, para não fazer barulho. Antes de tirar o terno, ficou de novo se admirando em frente ao espelho. Ameaçou desfazer o nó da gravata, mas parou. Antes, ficou conferindo também seu próprio perfil. Ricardo Almeida logo não precisaria mais fazer tantos ajustes em seus ternos. Quando ele sorriu, o segundo olho de Marisa se abriu, com um pequeno estalo. Mas o Presidente, compenetrado, não notou. Lula raramente nota algo em seu redor. Foi quando ela se lembrou que ele tem evitado churrascos, só para não precisar usar palito na frente dos outros. Aliás, depois do clareamento dos dentes, ele também tem evitado café. E beijado menos, ainda assim só de biquinho. Lula foi ao closet, trocar de roupa. Demorou-se no banheiro. E deitou-se discretamente, para não acordá-la, o safado. Sim, a essa altura, a pulguinha crescera e ganhara músculos. Era um pulgaço. Tudo porque Marisa sentiu um perfume diferente em Lula. E não era perfume de mulher, não. Era de creme de beleza. Assim que ele deu o primeiro ronco, ela levantou-se e foi ao banheiro, onde - céus - percebeu que o marido tinha mexido sim em seus cremes. Marisa sabia exatamente a posição em que os guardava, e quanto tinha usado de cada um. Em alguns, ela notou, Lula só mexeu, provavelmente para ler rótulo. Outros, ele usou. Ela percebeu, em pânico, que ele usou um bocadinho do anti-celulites. Compreendeu depois de alguns longos segundos, quando lembrou-se que este não tinha tradução em português. Marisa comprou na França. Ulalá. Lula deve ter passado em volta dos olhos, ou na testa. A testa! Palavra chave, a essa altura da madrugada. Marisa colocou as duas mãos sobre a testa, esfregando, esfregando, até tomar a decisão. Iria conferir as roupas do marido, no closet. Ela sabia da gravidade do momento. Mesmo evitando a leitura de jornais, sites, aliás, leituras em geral (questão de solidariedade), lembrava-se muito bem do que muitos analistas disseram: apesar do Mensalão, Lula só poderia perder a reeleição se aparecesse o batom na cueca. Portanto, naquela madrugada, muita coisa estava em jogo. Logo ao chegar ao closet, viu que o Marido não tinha empaçocado o terno, como antigamente, mas colocado as peças dentro do cesto. Dobradas, cuidadosamente. Segundo Ruth, nem FH fazia isso. Aliás, a única coisa que se lembrava dele é que parece que não molhava o banheiro no banho, desde que voltou da Sorvane. Não, Sorvane era uma marca de sorvetes. Sorbonne, isso. Ela mexeu nos bolsos do paletó e não encontrou nada de especial, só um spray bucal sabor morango. Spray bucal de morango?! A República estava em jogo. Marisa pensou em voltar para a cama, pensando nos cremes, vestidos, nas sessões de cinema com artistas, no avião, até mesmo na estrela do jardim. Mas e os princípios? Ela sabia que Lula não foi traído. Nem pelos companheiros, muito menos por ela. Portanto, se houvesse batom na cueca, problema dele. Ela não esconderia. Marisa continuou, investigando o que nenhuma CPI jamais poderia. O destino dela, da família, do partido e do país poderia mudar ali. Foi quando ela se lembrou, aliviada: depois do que aconteceu com o irmão do Genoíno, Lula nunca mais usou cuecas. Marisa e o Brasil voltaram pra cama.

De Batman e Emerson a Barney e Massa.

28 de agosto

Eu tinha dois heróis na infância. Um usava máscara, outro capacete. Eram Batman e Emerson Fittipaldi. Fui com minha família a Interlagos no primeiro GP Brasil, em 1972, quando ainda nem contava para o Mundial. Verdade que assisti pouco da prova. Aos 5 anos, curti mesmo os ovinhos de codorna que um torcedor que estava acampado numa barraca ali no morro do retão não parava de cozinhar para os filhos e "agregados". Mas lembro que estava todo todo nas últimas voltas, com Emerson na frente. Pena que o carro quebrou, para minha tristeza e alegria de Carlos Reuteman, que levou o GP. Batman eu não cheguei a conhecer pessoalmente. Mas Emerson me carregou no colo, numa exposição na praça Roosevelt, quando vieram a São Paulo vários carros da F1, incluindo a Lotus preta. Acho que o evento chamava-se Fittipaldi Motor Show, comemorava o título de Emerson. Meu pai nos levou, claro. Era fanático. Lembro bem que foi meu pai quem falou de mim para Emerson, quando vencemos a longa fila. O campeão autografou um pôster e me ergueu. Para meu pai, foi como se ele erguesse a taça, tal foi seu sorriso orgulhoso. A lembrança, claríssima hoje, me comove. Abro um parenteses, porque não posso deixar de contar cabotinamente que reencontrei Emerson quando ele gravou para mim um comercial que escrevi para o suco Parmalat, já na época da Indy. Ma volto rapidinho para 1975, quando assistimos à vitória de José Carlos Pace na nossa primeira TV à cores, Philco, que meu pai foi buscar no depósito do Mappin para a Copa de 74. Aquela seleção medíocre pelo menos serviu para isso. Muitos anos depois, fomos morar em Interlagos, por coincidência numa travessa da José Carlos Pace, que virou avenida ao falecer num desastre de avião, justamente quando estava tornando-se um dos bons. Mas antes meu tio já morava ali quase do lado do autódromo. Por isso era fácil assistir às corridas. Não cheguei a ver vitórias de Piquet pessoalmente. Mas vibrei muito com ele, um gênio. Politicamente incorreto, deliciosamente insuportável. Acho que Senna foi mesmo melhor, mais completo, mais obstinado. Mas Piquet deu shows inesquecíveis, inclusive sobre Senna, como naquela prova na Hungria (esqueci o ano, mas deve ter sido 86 ou 87), quando Senna fez seu famoso trenzinho, segurando todo mundo atrás da sua Lotus amarela. Piquet chegou e não quis saber. Ultrapassou duas vezes, na mesma curva. Da primeira, deixou sua Williams escapar um pouco e Senna repassou, fazendo o X. Mas na volta seguinte, puto da vida, Piquet viu que não tinha outro jeito e colocou o carro por fora, de lado, e deu o troco numa das maiores ultrapassagens da história. Meu pai vibrou, também. Assisti no autódromo as vitórias de Senna aqui em Interlagos. Nessa época eu gravava todas as provas, no vídeocassete. Gravei, imagino, quase toda a carreira monumental do Ayrton. Parei exatamente quando ele bateu em Ímola, em 94, na hora que também bateu o frio na barriga. Apertei o stop e nunca mais dei o play. Não tive coragem. Só vi meu pai realmente arrasado duas vezes. Na morte do Kimba, nosso primeiro boxer, e de Senna. Que pena. Pois é, mas lá na rua de casa vi Rubinho guiando uma Honda CB 400, aos 14 anos. Éramos quase vizinhos. De certa forma, patrocinamos um pouco sua carreira, já que compramos muito material de construção no depósito da sua família, bem ali, na frente do autódromo. Várias vezes conversei com Rubão no caixa sobre como Rubinho era espetacular no Kart. O primeiro piloto brasileiro mais novo do que eu para quem torci. Inclusive quando tive o privilégio de assistir a uma prova em Monza. Justamente Monza, a mesma pista em que Batman, ops, Emerson venceu seu primeiro campeonato. Cá entre nós, para o Rubinho eu sempre torci mais ou menos. Rubinho é talentoso, mas acho que é a sua personalidade que justifica o 'inho'. Meu pai, sim, torcia. Discuti muito com ele, entre tantas bobagens que viravam briga, porque ele gostava pra valer do Rubinho. Só no final começou a se desiludir, que também há limites. Escrevi todo esse lero,lero pra contar que foi bem estranho, hoje, quando Felipe Massa venceu a prova na Turquia. É o sexto brasileiro a vencer na Fórmula 1 e o primeiro que o meu pai não vê. Sem brincadeira, acho que ele deve ter assistido a todas as outras 88 vitórias brasileiras na F1, mesmo considerando alguns teipes na época de Fittipaldi - e teria começado o domingo entusiasmadíssimo. Mais ainda se tivesse visto o Leozinho, aqui em casa. Leo teve muita febre a noite toda. Acordou bravo, choroso. Por isso, não colocamos a TV de cara na corrida. Ele estava vendo o seu ídolo máximo, que não é o Batman, mas o Barney, do Discovery Kids. Foi quando não resisti e dei uma passadinha para a Globo. Renata, mesmo também sendo fã de F1, é mãe. Ficou com pena e pediu para voltar pro Barney. Obedeci, meio a contragosto. Mas o Leozinho mostrou a quem puxou: "quer ver carro". E assistimos juntos, até o final. Me deu um baita orgulho do Leo. E uma baita saudade do meu pai. Nunca liguei muito pro Massa, mas vou torcer por ele. S. Arion iria torcer, junto com o Leo.

Não publicarás piadas em vão

27 de agosto

Meu caro Ricardo, não vou publicar a piada que você enviou no blog, não. Adoraria atender seu pedido. E não é que não tenha gostado da piada, não. Gosto de todas que detonam o Lula. Mas essa também inclui Jesus Cristo e o Pai. Lembra do mandamento “Não tomar o Santo nome do Senhor em vão”? Pois é, se eu achasse que podia ajudar a tirar alguns votos de Lula, publicava. Mas, infelizmente, esses quatro anos foram piada atrás de piada e olha no que está dando. Ou seja, nada mais em vão do que publicar outra, quanto mais no meu modesto blog. (se alguém ficar muito curioso, o email do Ricardo é daumas@uol.com.br)

Os artistas esqueceram de atuar

26 de Agosto

Que bom. Acho que não vamos mais precisar assistir artistas interpretando mocinhos, preocupados com o bem de todos, em campanhas eleitorais. Como todo mundo já escreveu, o encontro de artistas na casa de Gilberto Gil, desmoralizou qualquer nova participação em campanha. Pelo menos deveria. Paulo Betti, Wagner Tiso, José de Abreu e Luis Carlos Barreto tiveram falas dignas de Bia Falcão. Só que não estavam interpretando. Até porque qualquer autor mediano daria algum polimento nos textos de cada um. "Não dá pra fazer política sem botar a mão na merda", fala de Paulo Betti, é cinema nacional dos anos 80. Uma merda, mesmo. "Os fins justificam os meios", de Luis Carlos Barreto, é cliché de quinta. "Não estou preocupado com a ética do PT.(...)O PT fez o jogo que tem que fazer para governar o país", mostrou porque Wagner Tiso toca bem, mas é péssimo letrista. José de Abreu pediu uma homenagem aos atores Zé Dirceu, Genoíno e José Mentor, três dos grandes vilões da triste peça que o PT pregou no país: O mensalão. Com essas falas, na presença do Presidente Lula, os tais artistas fizeram alguns favores. Primeiro, mostraram que nem os mais próximos do Presidente discutem que houve mesmo mensalão. Bem, grande revelação. Será que Lula corou? Claro que não. Segundo, confirmaram que tudo o que sempre falaram nas campanhas anteriores era encenação. Lembro de textos emocionantes de Paulo Betti falando sobre ética, sobre um jeito diferente de fazer política. Sem falar na "esperança vencendo o medo", no texto de Duda Mendonça interpretado por Paloma Duarte, como se fosse depoimento pessoal. Sempre impliquei com participação de artistas na campanha de quem quer que seja. Meus candidatos ou outros. Os políticos atuam o tempo todo, mas pelo menos são canastrões, fica mais fácil ver o que está por trás. Ator é problema. Usam a empatia, manipulam a emoção com técnica. Só que na política, ficção é fraude. Como ficou provado nessa reunião, em que a vantagem de Lula nas pesquisas deve ter empolgado todos, a ponto de esquecerem que ali, com tanta gente em volta, não era hora de sair do roteiro e improvisar. A mulher de Gil tinha esqueciso de fechar a cortina.

Como dobrar as vendas de picolé de chuchu em 1 mês?

25 de agosto

Sou publicitário, admito. Mas pelo menos nunca trabalhei com Marketing Político. Não tenho nenhuma experiência nisso, o que transforma meus comentários aqui em palpites. Escolhi me especializar em ser leigo. Assim posso palpitar em tudo. Mas entrando no assunto do texto, há sim várias semelhanças entre o Marketing e o Marketing Político. Muitas diferenças, também. Mas estas ficam para depois. Sem me aprofundar, basicamente a comunicação de produtos tem uma divisão. Há momentos para uma campanha de “branding”. Construção da marca. Uma campanha com conteúdo mais conceitual, que procura construir uma relação duradoura entre o consumidor e a marca. É o McDonald's falando que é "gostoso como a vida deve ser", "amo muito tudo isso", tal e coisa. A preocupação não é tanto o produto, não é comunicar uma vantagem específica, mas posicionar a marca. O produto vai evoluindo com o tempo, mudando. Por isso é importante definir algo que permaneça: a sua personalidade, sua atitude. O que vale não é o conteúdo em ml, mas o emocional. O resultado da uma campanha de marca não aparece no dia seguinte. A resposta vem a médio e longo prazo e, claro, também depende do comportamento real da marca, das suas qualidades, de cumprir as promessas. Há outros momentos, em que o recomendado é uma campanha de ativação. Mais comprometida com resultados de curto prazo. Aumento de vendas, experimentação. Uma campanha muito mais agressiva. As promoções entram nessa categoria. Vantagens de preço, 10X sem juros. Combos mais baratos no McDonald's, brindes. Hora de agitar, deixar o consumidor salivando por um BigMac ali, na hora. É também o momento de confronto de um produto ou marca, em que o mais importante é ganhar participação rápidamente, de preferência tirando do concorrente. Resumindo, subir nas pesquisas. Ou seja: durante os 4 anos de um Governo, a comunicação é para construção de marca. Campanha eleitoral é ativação. Para mim, esse é o primeiro equívoco da campanha de Alckmin. Passiva demais para ativar qualquer coisa. Bonita, bem-feita, "branding". Mas que vantagem Maria leva? E João? Falta a agressividade, falta o confronto. E não adianta dizer que é só o começo, porque a campanha, como uma promoção, é por tempo limitado. As vendas de picolé de chuchu têm que estourar antes mesmo do verão. Compreender essa dinâmica poderia ajudar. Desde que se lembre que há também muitas diferenças entre o Marketing e o Marketing Político. Candidato não é produto. Até porque, infelizmente, produto tem mensalidade, enquanto político tem mensalão. Produto se compra. Político se vende. Humpf. Meus colegas publicitários podiam caprichar mais, para ajudar a mudar isso.

Desemprego ultrapassa os limites e atinge Plutão

24 de agosto

Já sabia que a crise do emprego vem se espalhando rapidamente pelo Mundo, mas o problema está fugindo mesmo de controle. Os cientistas concluíram e determinaram: Plutão não é mais Planeta. Pior é que a decisão parece discriminatória: Plutão foi rebaixado a Planeta Anão. Rebaixado? Acho que cabe processo. Quem sabe pelo menos Plutão ganha uma indenização. Principalmente, porque há suspeitas de que ele esteja sendo substituído por Xena. Com esse nome, sabe-se lá o que Xena ofereceu aos cientistas. Enfim, é triste. Não se levou em conta a história, os anos de serviços prestados ao Universo, o bom relacionamento com os outros planetas. A alegação é que Plutão andava muito distante ultimamente. Frio demais. Não vinha "performando". Depois da estrela cadente, agora foi criado o planeta decadente. Categoria, que aliás, abre um precedente perigoso para a Terra. Agora, alguém pode me explicar por que Plutão é ÃO, se sempre foi tão insignificante assim?

Catso

24 de Agosto

Sei que minha mãe, claro, andou passando o meu blog para um montão de amigos. Conheço quase todos. Senhores e senhoras educados, cultos, inteligentes, muitos sãopaulinos, inclusive, o que me obriga a pensar um bocado antes de escrever qualquer bobagem. Por isso escolhi catso. É feio, mas pelo menos é italiano. Isso já empresta uma dose de cultura européia ao xingamento. Dá um certo status ao chulo. E depois, bebês italianos já xingam, nada demais. Penso nisso preocupado com quem possa eventualmente ler, porque o motivo do palavrão merecia mesmo verbetes bem menos dignos. Subiu, de novo, a aprovação ao Governo Lula. Catso. Nossa, que vontade de escrever outros. Pelo menos escrevi batendo com força nas teclas. Não consigo entender como sobe todo dia o número de pessoas que acham seu Governo ótimo ou bom. O que aconteceu de ótimo nessa última semana? O que aconteceu de bom? O que aconteceu de regular? O que aconteceu, aliás? Só se foi dia de pagamento do Bolsa-Família. Isso realmente o Lula conseguiu: nunca 65 reais valeram tanto quanto nesse Governo. Com essa grana eu não compro gasolina para uma semana, mas eles compram combustível para mais 4 anos. OK, até entendo que as pessoas gostem do Lula, paixão é paixão. Milhões de brasileiros se identificam com ele, com seu jeito de falar. Ele é corintiano (sem ofensas, hein), tem barriga, barba, gosta de um bom churrasco, de uns bons golinhos que afinal não trabalhar é enfadonho e não saber de nada do que se passa ao redor deve estressar. As pessoas também podem votar nele por falta de opção. Não conhecem Alckmin, a oposição é incompetente, desunida, também apronta, chuchu não mata fome, sei lá. Votar no Lula, ainda vai, mas achar este Governo ótimo, há limites. Bom, mas quem sou eu pra achar alguma coisa? Eu não acho nem meu título de eleitor aqui em casa. Aliás, será que vale a pena procurar? Catso! (A propósito, CATSO também é "Connecticut Association for the Treatment os Sexual Offenders". Duvida? clique em www.catso.org Catso.)

Meus filhos dormem. Mas infelizmente o Brasil também.

23 de agosto

A minha filha está dormindo aqui na minha cama, linda. Abraçada a um bernese de pelúcia. A de pêlos de verdade está lá fora. Luna. Mas a Luna não me preocupa, tirando às vezes, quando ela resolve uivar de madrugada. A Gabi aqui do lado, sim. E o Leo lá no quarto dele também. Porque não são só eles que estão dormindo. O Brasil inteiro está. Só isso explica essa letargia geral, essa moleza intelectual. A massa cinzenta brasileira virou cinzas. Sou de matinar, mesmo. Há dias...ou pior, há noites em que a preocupação é o Mundo. Falando sério, meio-ambiente, aquecimento global, falta de combustível, falta de água, terrorismo, tudo por causa dos dois pequenos. Mas confesso que ultimamente o Brasil é o campeão mundial do Mundo em motivos de insônia. Violência, economia, falta de emprego, educação, saúde e o horário político. Eis a mãe de todas as insônias, o horário político. Olho para a TV e confiro o relógio: será que já começou o Casseta & Planeta? O formato é tosco, os políticos são caricaturas, as falas são cômicas, mas nada daquilo é ficção. É a mais impura realidade. Esses caras estão despreparando o terreno para a Gabi e o Leo. São mais do que sanguessugas. São chupadores de futuro. O roubo na política é o pior que existe, porque além de tirar aquilo que temos ou tivemos, tira também o que um dia nossos filhos poderiam ter. Juro que eu não vou votar nulo, que sei em quem votei na última eleição (por sorte, porque com esses caras a gente quer mais é esquecer) e vou escolher em quem votar agora. Aliás, já escolhi, acho. Mas não acho que faça diferença. Se em 2006, depois de tudo o que passamos, o horário político é esse, então realmente meus votos não valeram nadinha da silva. Ops, silva não. Com todo o respeito a milhões de grandes silvas, me lembrei agora de um que está adorando o horário político deste ano. Vou abraçar a Gabi aqui e rezar.

Um Governo sem medo

21 de Agosto

Se você ainda não viu, Veja. A revista desta semana traz três entrevistas independentes, mas totalmente relacionadas. Muito instrutivas, aliás. Uma é de Luiz Antonio Vedoim, o empresário que alimentou os sanguessugas com propina. Ele fala com clareza sobre as trevas. Sobre nossa política. Sobre como as coisas funcionam. Isso é o pior. É assim que as coisas funcionam. Ponto. Leia e perceba em cada linha que o escândalo não foi um acidente, não foi culpa de uma quadrilha de bandidos que assaltou o Congresso. Não. É assim que as coisas funcionam. "Se acabarem as emendas individuais, continuarão as emendas de bancada, os recursos extra-orçamentários. Sempre vai haver um conchavo, uma negociata". É assim que as coisas funcionam. Se uma empresa ou profissional tem algum tipo de relação com Governos, em qualquer de suas instâncias, saiba que de alguma forma esta empresa ou este profissional terão que se envolver, seja lá em qual proporção, com alguma negociata. Algum "dinheiro não contabilizado". É assim que as coisas funcionam. A segunda entrevista é curtinha, com o caseiro Francenildo Costa, lembra dele? Ele ficou famoso ontem, mas hoje muita gente já esqueceu. Francenildo usa bem a ironia, aliás. Diz que no Brasil não vale a pena contar a verdade. Durante o papo, ainda ataca com coragem o Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, apostando que ele pode estar dificultando e arrastando as investigações sobre a quebra do sigilo do seu sigilo bancário. É assim que as coisas funcionam. O que me leva à mais instrutiva de todas as entrevistas, a do Ministro. Uma boa entrevista começa com as perguntas certas, mas depende mesmo é das respostas. E o Sr. Márcio Thomaz Bastos responde bem. Golpeia o PSDB com jabs e diretos, não perdendo nenhuma brecha quando o assunto é o PCC e a segurança pública em São Paulo. Mesmo deixando claro que não quer explorar o assunto eleitoralmente, como convém a um magistrado. Sei, sei. O Ministro é muito inteligente, hábil. Mas para mim o grande momento é quando ele cita Montesquieu, que "dizia que não se constrói uma sociedade baseada na virtude dos homens, mas na solidez das instituições". O Ministro poderia parar por aí, o argumento estaria muito bem colocado e bem defendido. Afinal, sempre haverá homens sem virtude. Uma pancada deles. Por isso, as instituições devem ser o freio da sociedade. Quanto mais avançadas forem, melhor o freio. Como um ABS da nação. "Não se combatem a corrupção e o crime sem instituições fortes e efetivas". As coisas deviam funcionar assim. Seria perfeito, como foi quase toda a entrevista. Mas o Ministro, empolgado com seus bons argumentos, seguiu adiante e citou um "amigo", que tem uma "tradução livre do pensamento de Montesquieu. Diz que a pessoa não se detém por ser honesta, mas por ter medo. Sempre achei isso". Eis que o Ministro explica, pelo menos a mim, tanta coisa sobre este Governo. O raciocínio pressupõe que não há pessoas honestas, mas medrosos. Passou-se no entanto, que neste Governo entrou muita gente com coragem. E pior, gente que mesmo não tendo tanta coragem assim, não tem medo simplesmente por achar que nada pode atingí-los. Estão protegidos. Afinal, eles é que mandam nas tais instituições. O Governo é deles, e não do país. Sem medo, sem freio. Isso explica Dirceu. Explica Waldomiro Diniz. Explica Gushiken. Explica Delúbio. Explica Silvio Pereira e tantos outros homens sem medo. Isso explica porque o Ministro tem tido tanto trabalho com estes colegas. Um trabalho bem merecido, senhor Ministro. É assim que as coisas funcionam. Queria saber qual, entre tantos amigos do Ministro, fez essa tradução livre. Quem sabe não o conhecemos?

PT tem foco. PSDB tem o que?

21 de Agosto

O PT é extremamente focado. Onde está o ponto fraco do Governo do PSDB em São Paulo? Na segurança. Onde estão acontecendo problemas bem agora, em São Paulo, explorados diariamente na TV, nos jornais e horário político? Na segurança. Perfeito. Simples. O PT usa as armas que tiver que usar e ponto final. Não duvido mesmo que haja manipulação política do PCC. Pelo contrário, acho que tem. Mas isso não diminui em nada a culpa que o PSDB leva por isso. Se a situação estivesse sob controle, não haveria o que aprontar, não haveria ponto fraco para ser explorado. Ainda que a motivação dos ataques agora seja também política, ou pelo menos que a escolha da época de cada ataque obedeça a uma conveniência política, os fatos estão lá. A Crise chegou onde chegou porque sempre foi mal administrada e o Governo do PSDB é fraco em segurança desde Covas. Até melhorou com Alckmin, mas muito pouco. A situação dos presídios é lastimável e, se o Governo Federal ajuda menos do que deveria, o estadual cobrou pouco e não se preveniu. Armou sua própria armadilha. Já o PSDB não foca. Onde está o ponto fraco dos 4 anos de Governo do PT no Brasil? Corrupção. Mensalão. Aparelhamento. Ética. É ou não é? Mas o PSDB morde e assopra, muda de assunto. Não houve ainda um programa inteiro de Alckmin levantando os casos, usando as imagens, mostrando indignação minimamente proporcional a tudo o que aconteceu nos 4 anos de Lula, começando pelo Waldomiro Diniz e chegando até os Sanguessugas, passando, claro, pelo mensalão. A timidez é tanta, que dá pra desconfiar: será que o PSDB não tem foco, ou não tem coragem, mesmo. E se não tem coragem, mal sinal.

PT tem foco. PSDB tem o que?

21 de Agosto

O PT é extremamente focado. Onde está o ponto fraco do Governo do PSDB em São Paulo? Na segurança. Onde estão acontecendo problemas bem agora, em São Paulo, explorados diariamente na TV, nos jornais e horário político? Na segurança. Perfeito. Simples. O PT usa as armas que tiver que usar e ponto final. Não duvido mesmo que haja manipulação política do PCC. Pelo contrário, acho que tem. Mas isso não diminui em nada a culpa que o PSDB leva por isso. Se a situação estivesse sob controle, não haveria o que aprontar, não haveria ponto fraco para ser explorado. Ainda que a motivação dos ataques agora seja também política, ou pelo menos que a escolha da época de cada ataque obedeça a uma conveniência política, os fatos estão lá. A Crise chegou onde chegou porque sempre foi mal administrada e o Governo do PSDB é fraco em segurança desde Covas. Até melhorou com Alckmin, mas muito pouco. A situação dos presídios é lastimável e, se o Governo Federal ajuda menos do que deveria, o estadual cobrou pouco e não se preveniu. Armou sua própria armadilha. Já o PSDB não foca. Onde está o ponto fraco dos 4 anos de Governo do PT no Brasil? Corrupção. Mensalão. Aparelhamento. Ética. É ou não é? Mas o PSDB morde e assopra, muda de assunto. Não houve ainda um programa inteiro de Alckmin levantando os casos, usando as imagens, mostrando indignação minimamente proporcional a tudo o que aconteceu nos 4 anos de Lula, começando pelo Waldomiro Diniz e chegando até os Sanguessugas, passando, claro, pelo mensalão. A timidez é tanta, que dá pra desconfiar: será que o PSDB não tem foco, ou não tem coragem, mesmo. E se não tem coragem, mal sinal.

Roteiro para programa de Alckmin

20 de agosto

Alckmin olha direto para a câmera e conversa. Não discursa, conversa, com firmeza: - A história de Lula é admirável. Genuíno homem do povo. Comeu o pão que o diabo amassou. Isso, quando tinha pão. Sua mãe, como ele diz,"nasceu analfabeta". Mas Lula, como bom brasileiro, superou tudo. Veio de Pernambuco para São Paulo, tornou-se metalúrgico e depois, um grande sindicalista. Mais tarde, fundou um partido, o PT, que também teve uma história e tanto na nossa jovem democracia. Isso mesmo, para quem não se lembra, como ele mesmo parece não lembrar, Lula fundou o PT. Junto com outros, como o deputado cassado José Dirceu, e o ex-deputado José Genoíno. Eles são o PT. Muitos anos e eleições depois, com o seu voto (aponta para a câmera), Lula foi eleito Presidente do Brasil. Inesquecível. Só que essa história não parou aí. Os capítulos que vieram depois, você também não pode esquecer. Principalmente você, que votou nele. Porque foi para você que Lula mentiu, mentiu e mentiu. Lula foi eleito falando em ética, mas governou com o mensalão. Você não pode esquecer do mensalão. A base aliada do PT recebia dinheiro para votar com o Governo. Lula disse que era dinheiro "não contabilizado" e que, no Brasil, isso era normal. Corta para cena da entrevista de Lula em Paris. Volta para Alckmin, que continua: Isso mesmo. Lula disse na França que, no Brasil, todos cometiam crime. Inclusive o PT, que o elegeu falando que era diferente dos outros. E era. Era sim. Era pior. Quando ficou claro no relatório da CPI que - além do dinheiro não contabilizado, o mensalão tinha dinheiro público para comprar votos, Lula disse que foi traído. Corta para o discurso de Lula, dizendo que foi traído. Volta para Alckmin, que continua: Lula não quis dizer o nome dos que o traíram. Talvez, porque deva pra eles. Lula não citou nem mesmo o nome do Delúbio, seu grande amigo, e que assumiu sozinho a culpa de tudo. Você também não pode esquecer do Delúbio. Mais tarde, José Dirceu, deputado, ministro e braços direito e esquerdo do presidente, pediu demissão. Quer dizer, isso foi o que o Presidente disse na época. Agora, no Jornal Nacional, colocado contra a parede, Lula disse que demitiu Dirceu. Ou seja, confessou que mentiu para o país na época. Ou mentiu agora. Quando o marketeiro Duda Mendonça depôs na CPI e expôs mais fatos incríveis, como a confissão de que recebeu no exterior o dinheiro das campanhas para a presidência e para o senado - o que é crime - o próprio Senador Mercadante falou contra o partido, parecendo indignado. O presidente do PT, Tarso Genro, disse que o partido teria que ser refundado, e que os deputados mensaleiros não deveria concorrer novamente. Corta para as entrevistas de Mercadente e Genro na época. Volta para Alkmin, que continua: mas o PT não foi refundado e os mensaleiros estão todos concorrendo de novo. Mais mentiras. Depois, estouraram os escândalos com o Ministro da Fazenda, Palocci, que envolviam corrupção, tráfico de influência e farra com o dinheiro público. Para evitar que tudo aparecesse, o ministro Palocci, com ajuda de assessores do Ministro da Justiça - repito: do Ministro da Justiça - cometeu um crime ainda mais abominável. Quebrou o sigilo de um caseiro, que ousou depor e contar a verdade sobre o ministro, e vazou tudo para a imprensa. Um golpe baixo do alto escalão. Contra um homem do povo, como Lula era. Palocci, claro, saiu. Mas Lula não o repreendeu pelo crime. Lula também deve para ele, imagino. Por isso, elogiou o criminoso. Corta para discurso de despedida de Palocci, quando Lula diz que o ministro é seu irmão. Volta para Alckmin, que continua: Infelizmente, o tempo que tenho no programa de hoje não dá para lembrar de outras histórias, como a do filho de Lula, que enriqueceu nesse Governo, e também de uma dívida do Presidente, paga por outra pessoa e jamais explicada. E outras muitas. Muitas. O tempo de hoje é curto, mas os próximos 4 anos serão longos. Serão decisivos. Você tem todo o direito de votar mais uma vez em Lula, mas tem o dever de não esquecer que tudo isso aconteceu. Lula hoje não toca no assunto. Não toca no PT, mas ainda é o Lula do PT, que não expulsou os mensaleiros que receberam dinheiro, mas expulsou a Senadora Heloísa Helena porque ela discordou de posições do Governo. Sim, você tem todo o direito de votar nele, mas tem o dever de pensar no sinal que estará dando para os seus filhos. Antes de decidir se o Presidente Lula merece o seu voto mais uma vez, você precisa pensar se ele mereceu o seu último voto. Me desculpe, mas é o nosso futuro que está em jogo e eu precisava falar com você sobre tudo isso. Porque isso não é invenção de programa polílico. É a realidade da política nos últimos 4 anos. Muito obrigado, conversamos mais amanhã. Entra um clip lindo e emocionante, que canta a beleza da verdade, com lindas cenas do Brasil, de homens e mulheres do povo. Parecidos com o Lula

Consegui, mãe

18 de agosto

É claro que esse blog é brincadeira. Faço para mim mesmo, como um exercício. Assim crio a disciplina de escrever alguma coisa que não seja trabalho, pensei. Como uma academia para cabeça, já que na outra não vou mesmo. Mas eis aí a armadilha. Se não tenho assunto, como hoje, já bate uma aflição. Não posso deixar em branco, vai que alguém entra pra ler. Minha mãe, por exemplo, a única propabilidade mais real, aliás. Posso ligar pra ela, pedir pra não entrar, explicar que não tive tempo. Teria fundamento: são meia noite e minha filha acabou de dormir. Mas e o remorso? Se o Juca Kfouri pode postar uma meia dúzia de textos por dia, além de fazer rádio, escrever pra jornais e o diabo a quatro (qual o sentido dessa expressão, alguém pode me explicar?), por que eu não posso escrever um textinho que seja? Preguiçoso. Sem inspiração. Ok, escrevo qualquer coisa, minha mãe tem gostado até dos textos sobre o meu tricolor, embora ela não ligue a mínima pra isso. Mas e a auto-crítica? O problema é que esse blog é como redação com tema livre. Sempre impliquei. Sofria. Gostava de um tema específico. "Minhas férias"; "Fale sobre o texto tal". Escrever com briefing é mole, fiz isso a vida toda. Escrever por escrever é que são elas. Voltando ao Juca, pelo menos ele tem o assunto pronto - e que assunto - futebol. Pior deve ser o Jabor, o Veríssimo, o Millôr, que têm que escrever sobre qualquer coisa. Qualquer coisa é muita coisa. Há limites. Maldita internet. Fico com a sensação de dívida crescente. É tão angustiante quanto conta negativa. Já não bastava a falta de tempo real, agora temos a virtual também. Um bilhão de coisas pra ver na internet todo dia, sob pena de ficar desatualizado. Para trás. Poxa, que ninguém me leia, mas nada como ir ao banco e perder um tempinho na fila. Agora é clicar, clicar, clicar. E escrever blog. Todo mundo escreve blog. Blog é a onda. Só eu que não vou escrever? Preguiçoso, sem inspiração. Bem, está escrito, viu mãe? Agora vou dar uma pesquisada na internet pra ver se descubro a origem da expressão "diabo a quatro". Duvido achar, mas aposto que vou perder mais um tempão.

São Paulo perdeu, mas ninguém arrumou o meião.

17 de agosto

Pois é, perdemos. A praga vermelha continua e mesmo com duas cores a mais do que o Inter, não conseguimos vencê-los. A quarta Libertadores dançou aos 8 minutos do primeiro tempo do primeiro jogo, quando Josué foi expulso. Ontem, mesmo com falha feia do melhor goleiro do Brasil, empatamos lá. E embora o Inter tenha jogado, na minha opinião, um pouco melhor, tivemos mais chances claras de gol do que eles. Só no comecinho foram 3! Uma a cada dois minutos, com Ed Carlos, meu xará Danilo (que não vem fazendo jus ao nome) e - a maior de todas - com Lugano livre e de frente pra bola e pro gol. Não quero repetir o cliché, mas estamos carecas de saber o que acontece com time que não marca, especialmente em jogo decisivo. Aliás, que saudade do Careca, hein? Falando nele, lembro que de uma hora pra outra, ainda ficamos sem nosso atual atacante mais habilidoso, Ricardo Oliveira, que veio só pra jogar a Libertadores e acabou de fora do jogo mais importante numa trapalhada geral das diretorias. Mas não tem nada não. Ontem ficou claro que perder é ruim, claro. Mas a grande humilhação é não jogar. O São Paulo mostrou que a tese do Parreira de que o técnico sempre vira vilão nas derrotas é furada. Apesar de toda paixão, de até achar que o Muricy errou no primeiro jogo, nenhum torcedor do São Paulo tá realmente P… com ele, nem com ninguém do time, incluindo os que não jogaram bem. Primeiro porque perdemos para um baita time, com T maiúsculo. Mas principalmente, porque também jogamos com T maiúsculo, de Tesão. Mostramos garra, vontade e talento. Tentamos, mexemos, perdemos gols. Fizemos algumas bobagens, mas fizemos dois jogões. A defesa bobeou no segundo gol deles, mas não tinha ninguém arrumando o meião. Perder para o Inter tudo bem. Perder para a preguiça, para a vaidade, para a empáfia, aí não dá. A noite ontem foi vermelha, porque os dois times deram o sangue. A nossa seleção também foi vermelha, mas de vergonha.

Alckmin podia olhar um pouquinho pro Quércia.

16 de agosto

Boa a entrevista de Quércia hoje pela manhã, na Rádio Bandeirantes. O conteúdo não tem nada demais, é o velho e mal Quércia. Mas a forma é admirável. Quércia não discursa, proseia. Tem um jeitão tranqüilo de bate-papo, parece que está na nossa sala, falando baixo, mas firme. Não usa o condicional, não faria, fará. Aposto como aos poucos sobe nas pesquisas. Mas digo isso porque adoraria que ele emprestasse um pouco desse jeitão para o Alckmin. Na verdade, os políticos todos precisam entender que discurso é bom em comício. TV é conversa. Discurso é coisa de político. Conversa, coisa de amigo. Na entrevista, a conversa ainda tem a vantagem de desarmar. Não tem tom de confronto, que foi a grande falha de Alckmin no Jornal Nacional. Discurso ataca, conversa envolve. Num debate, ok atacar. Debate é confronto, mesmo. Quem está alí é o adversário. Mas horário político é bate-papo. Como entrevista. Do outro lado está o eleitor, o amigo. Enfim, tudo isso interessa pouco. O Lula tem o Bolsa-Família e parece que isso basta. Pior ainda, o Inter está ganhando do tricolor outra vez. Contra isso, não tem discurso, nem conversa.

Lula é o líder de um novo movimento: o Parado.

16 de Agosto

Inércia. Para o Aurélio, falta de ação, letargia, torpor. Para a física, a resistência que todos os corpos materiais opõe a modificação do seu estado de movimento. Para o Lula, a reeleição. Nada o afeta, nada pára o barco, nada o detém. Nada cola. Tinha que ser contratado pela Du Pont, garoto propaganda da T-Fal. Lula Du Pont, do PT-Fal. Podia falar da sua frigideira, que frita ministros, assessores, aliados, mas continua aparentemente limpinha. Se bem que esse Governo tem mais a ver com uma panela de barro. Não pela brasilidade, mas pelo material de que é feita. Primeiro passamos da ditadura para a democracia. Depois, da inflação para a estabilidade. Agora a transição foi de país do futuro para o país da inércia. Se as pesquisas estão mesmo certas - e parecem estar - o grande movimento social do Brasil de hoje é o Parado. Não cresce, não pune e pior - ninguém reclama. Todo mundo aprova. Lula só é coerente na incoerência. Foi eleito por causa de uma história, mas no Governo contou outra. Elogia o aliado pego na boca da botija, homenageia, depois diz no Jornal Nacional que mandou embora. Depois ele defende de novo, então por que mandou embora ? Mente, descaradamente. Até rima, mas não soluciona nada. Lula diz o que quer. Contra os fatos, há o Lula. É uma versão nova do Maluf. Mudou o slogan, é verdade. Esse foi o Governo do 'Rouba, mas não faz'. Lula não sabe, não viu, não nada. Ok, nem tudo parou. Alguns índices melhoraram. Mas até aí a causa é a mesma: inércia. Lula só foi bem naquilo que não mexeu. Outro dia a bela Fernanda Lima comparou a seleção brasileira da Copa da Alemanha ao país. Mandou bem, perfeito. O Brasil está arrumando a meia, enquanto um futuro assustador invade a nossa área completamente livre. Somos milhões de Robertos Carlos. Os recordes de que Lula fala nos comícios são como os recordes do Cafu. Históricos e inúteis. O país cresce devagar. Mas o pior é que nossa capacidade de reação está ancorada, no fundo do "mar de lama". Fico particularmente triste. Nos últimos dias do meu pai, ele passava as tardes em frente à TV, assistindo a CPI do mensalão. Horrorizado, ele dizia ' quem imaginou que fosse acabar assim? ' Não acabou. Aliás, não existiu. Meu pai passou seus últimos dias assistindo nada. Pelo menos ele não teve que ver hoje, na estréia do horário político, o Lula impávido, líder absoluto, falar que é preciso fazer uma grande reforma política para superar a crise ética que abalou o país. E que ele é o cara para fazer isso. Só não entendi uma coisa: de que crise ética ele fala? Aconteceu alguma coisa? Hein?

Geraldo Alckmin anda chato até pra chuchu.

15 de agosto

O debate entre os candidatos a Presidente ontem, na Bandeirantes, me deprimiu de vez. Gosto do Alckmin, mas devo admitir que ele anda chato até pra chuchu. Aliás, preferia o picolé de chuchu tipo Rochinha, natural, sem marca, que ele era antes da campanha. Não tinha mesmo muita graça, mas tinha pelo menos a espontaneidade. Agora, parece um picolé de chuchu aromatizado artificialmente. Alckmin devia estar menos preocupado em ganhar a eleição e mais em ser o Alckmin de até 6 meses atrás. Periga até que ele ganhasse a eleição. Tá certo que ontem ele foi tragado também pela qualidade tosca do debate. Difícil não ser. Eu fiquei deprimido de assistir, imagina participar. Levar a sério um debate em que a maior parte do tempo as estrelas eram José Eymael, Antonio Bivar, o sonífero Christovam Buarque e a agá agá Heloisa Helena, que me irrita com "esse falso dilema que querem impor à sociedade brasileira", entre a desaforada que vocifera impropérios pra todo lado, e a mãezona doce que responde com querido e querida. Agá agá, aliás, tem um discurso tão demagogo quanto o de Eymael, com o perigo adicional de que tem muita gente que leva a sério. O debate estava tão chato que até o moderador Ricardo Boechat fazia caras de enfado o tempo todo, parecendo irritado com o que tinha que levar adiante. Infelizmente, admito, o vencedor de debates como o de ontem será sempre o ausente. Ridículo. Mas é o que temos.

Rua, Milly Lacombe. Desde que a rua não seja no Morumbi.

11 de agosto

O assunto é velho, mas só hoje entendi bem: recebi o link com a briga do Rogério Ceni e a Milly Lacombe. http://www.youtube.com/watch?v=pq-Dfeu1oqY Depois que você acessar vai ver como ela foi mesmo leviana. Insuportável, já achava. Mas não imaginava que fosse tão cara de pau. Falou o que falou ao vivo no Sport TV, para o Brasil todo, reafirmou quando o Cléber Machado e o Armando Nogueira contestaram, mas ela insistiu. E depois, na hora do pau, deu pra trás e disse que não disse o que tinha dito. Há limites. Milly tem um ar professoral e desrespeitoso sempre. Como bom sãopaulino que sou, aliás, percebo também que ela destila uma raiva especial contra os jogadores do tricolor. Na Copa, ela babava especialmente contra o Cafu, o Kaká... Meio desproporcional, considerando o que todo mundo jogava. Não sei o que deu, mas fosse eu diretor da Sport TV e a dona Milly estaria na rua. Parece pessoal, mas é profissional. Jornalista tem que ser responsável, não pode soltar "achismos" no ar, porque viram fatos. Ora bolas, eu posso achar, você pode, mas um jornalista tem que saber. Ou ficar quieto até investigar e ter certeza. É a essência da profissão. Milly deve ter faltado nessa aula. Mas não fará falta nenhuma na TV. Eu posso achar.

Dunga com fôlego no 3º tempo (31/07/2006)

Assisti ontem, no 3º Tempo, à primeira entrevista mais longa do Dunga como técnico da seleção. Quer dizer, não foi mais longa porque o Milton Neves gastou boa parte do tempo dizendo como era importante ter o Dunga com exclusividade, o que é tão óbvio que nem precisava ser mencionado. Mas tirando isso, foi boa a oportunidade,mesmo. As perguntas podem não ter sido tão boas, mas as respostas foram. E não é que gostei da postura dele? Especialmente porque mostrou consciência de que só atitude, pegada e amor à camisa não vão bastar. É preciso ousar, driblar, atacar. Enfim, mostrou que pelo menos vai pedir futebol. Se vai conseguir receber, não dá ainda pra saber. Estava esperto, rápido, muito mais fluente do que muito técnico experimentado. Afirmou independência para convocar, desconvocar, escalar (ok, não podia ser diferente, mas pareceu acreditar mesmo nisso). Estava seguro e simpático. Bom de campo, cansou de provar que era. Bom de papo, como comentarista e agora técnico entrevistado, também está provando. Bom de banco é que são elas. Veremos. Ele sabe também que a areia da ampulheta já está caindo. E esperando pra virá-la, lá do outro lado do Atlântico, está o conterrâneo Felipão. Ok, Dunga, está combinado: vou torcer.

Perder para o Santos foi estratégico (30/07/2006)

4 a 0 pro Santos. 4 a 0 pro Luxemburgo. É horrível, verdade, mas vejo vantagens na derrota. Mesmo sem querer o time estava ficando metido. Vinha ganhando sempre e - de verdade - só jogou bem mesmo contra o Chivas. Não é pouco, claro, mas também ainda não é tudo isso. E como vinha ganhando também com os reservas, tava ficando difícil o time conter a euforia. Já fiquei preocupado com o papo dos recordes do Rogério Ceni. Até ele andou entrando na onda e se empolgando. É hora de ter as chuteiras bem cravadinhas no chão. Saber que o time ainda tem que evoluir bastante se quiser ganhar a Libertadores, porque tanto Chivas aqui, quanto Inter lá ou aqui serão paradas duríssimas (sim, acho que o Inter passa pr afinal). E também se quiser ganhar o Brasileirão, que já passou da hora. Mais duas vantagens dessa derrota agora: vamos usar a inquestionável desculpa de que perdemos com o time B. E pouca gente vai prestar atenção. Afinal de contas, o assunto amanhã vai ser outra vez a derrota do Corínthians. Tem coisa melhor?

Dunga tem que esquecer do Dunga (28/07/2006)

Mas voltando ao assunto, passado o momento de estupefação, também vou torcer pelo Dunga. Parece que ele andou falando umas bobagens sobre o Telê, mas tudo bem, eu relevo. Espero que do Dunga jogador ele queira transferir a chamada "atitude", palavra inadequada para garra. Mas não as características de sua função: destruição. A seleção brasileira tem que ter pegada, claro. Todo mundo tem que defender...tá bom, já aprendi isso. Mas se abrir mão de um jogo ofensivo e tão bonito quanto possível, Dunga já era. No Brasil, torcida de time quer resultado e pronto. Torcida de seleção quer futebol. Quer farra, como diria o Leo (meu filho, 2 anos). E resultado, que ninguém é bobo. Até o Felipão entendeu isso, montando um time que agredia. Depois da era Parreira, com tanto discurso que futebol bonito não enche barriga, tirando a do Ronaldo, o que todo mundo vai cobrar é bola. Não vai adiantar ganhar amistosos de 1 a 0 em jogos emocionantes como Inter de Limeira e Ponte Preta. Se o Dunga não quer ser tampão. Aliás, se ele não quer estourar como rolha de espumante e abrir a vaga pra outro beber o champagne, então ele que trate de estudar

P...quiupariu, é o melhor goleiro do Brasil! (27/07/2006)

Escrevi que fazia tempo que o Rogério não marcava na Libertadores. Calou minha mão. Fez o seu sexagésimo segundo gol de pênalti legítimo e preciso. O time começou o segundo tempo mal, deixou o Chivas jogar e quase marcar. A madeira das traves mexicanas é de lei, porque senão aquela bomba teria rachado a trave do Rogério. Mas aos poucos o gelo começou a derreter e encher o Chivas de água. Na verdade, o São Paulo começou a melhorar depois que a torcida mexicana sei lá porque começou a gritar olé com o jogo 0 a 0 em casa. Bem feito. Não vai ser mole ganhar aqui, não, mas dá. Mais duro ainda vai ser comprar ingresso. Ê tristeza, não tem internet que dê jeito. É fila, cambista e sofrimento. Pelo menos no dia do jogo é tudo organizadinho, lugar marcado e seguro... E já que não tem ninguém me lendo mesmo, vai com todas as letras: Puta que o pariu, é o melhor goleiro do Brasil!!!

Chivas pode dar dor de cabeça

Não é trocadilho, é a verdade pura, sem gelo. O Chivas já venceu o São Paulo duas vezes nessa mesma Libertadores. É a base da seleção mexicana, que pode não ter sido nenhum sucesso na Copa, mas jogou bem mais do que a nossa e fez uma partida pau a pau com a Argentina. Estão sedentos por um título desses. Jogam há muito tempo com a mesma formação. Pra completar, o São Paulo não vem jogando bem, não. Não vi o jogo contra a Ponte, mas foram os reservas que jogaram. Contra o Estudiantes, Deus me livre. Meu xará Danilo não está fazendo jus ao belo nome. Júnior errou mais passes que o Kaká contra a França. Se não fosse sãopaulino doente, diria que o Chivas é favorito. Mas sou. Doente, e precisando desesperadamente de uma dose de Chivas pra desentalar as outras que ficaram na garganta. Assim saem todas no xixi. Espero que não arda.

Dunga me deixou zangado

O Anão não é o Dunga, mas o Ricardo Teixeira. Sem firulas, curto e grosso, como Dunga faria: pode até dar certo, mas tem tudo pra dar errado. E o Beckenbauer ? Bom, alguém quer mesmo comparar ? Beckembauer era um monstro, tinha trabalhado só com os melhores técnicos de sua geração e era mesmo intelectualmente diferenciado. Ok, o Klinsmann também deu certo? Bobagem. A Alemanha não jogou nada durante todo o tempo do Klinsmann. Jogou com vontade na Copa, mas estavam em casa, com Klinsmann no banco e 80 milhões em volta. Isso sim deu certo. Deveriam ter perdido da Argentina e levaram um passeio da Itália, apesar da prorrogação. E depois a Alemanha não precisa apresentar bom futebol. Quase nunca apresentaram. Chegar basta. Para o Brasil é pouco. Principalmente agora, depois do fiasco, queremos um time que jogue bola, jogue bonito, resgate o nosso tesão de torcer. Uma potencia como o Brasil embarcar numa aventura, deixar tanta gente experiente de fora ? Claro que o nosso "anão-mor" Teixeira não quer gastar toda a grana que entra e nem problemas. Para Dunga a oportunidade é tão grande, que ele vai aceitar muita coisa. Pena. Dava pra começar um trabalho de longo prazo, mas tá com cara de mandato tampão, até 2008. Espero que o Dunga não jogue fora a boa imagem que reconquistou depois de 90. Quer saber? sem experiência, na seleção, só se fosse eu.